A importância do afeto

 

As relações familiares passaram por diversas transformações no decorrer dos anos, sendo que especialmente no período pós-guerra passou-se a consolidar a essencialidade do afeto como vetor dos vínculos familiares. Hoje os relacionamentos, sejam conjugais ou parentais, tem como ponto principal de ligação a afetividade e o amor, ainda que inexistam vínculos legais como o matrimônio ou biológicos, no caso de pais e filhos. Consolidou-se a função eudemonista da família, na qual busca-se a realização pessoal de cada um de seus membros, focada na subjetividade e individualidade de cada pessoa, onde o laço de ligação é o afeto, que coexiste e até mesmo se sobrepõe a outros tipos de vínculos. Esta valoração da afetividade como princípio jurídico já consolidado explica a grande diversidade de engajamentos familiares existentes atualmente, nas quais há verdadeira liberdade de viver com quem e como bem quiser.

 

Não pairam dúvidas que este é um caminho sem volta, ou seja, cada vez mais as pessoas estão em busca de sua realização pessoal com ampla liberdade de escolha, o que se mostra positivo no sentido de que não são mais as convenções sociais ou a religião que determinarão as opções de cada pessoa, sendo que, ao menos para a maioria, importará suas necessidades afetivas e subjetivas. Verdade também que esta visão individualista tem aspectos negativos, não sendo a busca constante pela realização pessoal a “chave para a felicidade”, pois observa-se que as relações estão cada vez mais frágeis e instáveis, e, em função disto, até mesmo superficiais, com certo grau de intolerância muitas vezes. Partiu-se de um extremo ao outro, onde anteriormente tudo se aceitava em nome da manutenção do instituto da família, inobstante fosse muito comum relações infelizes, para a situação atual na qual casamentos e uniões são desfeitas com extrema facilidade.

 

Dados oficiais recentes referem que no Brasil ocorreram mais divórcios que casamentos no último ano, o que não significa que as pessoas estão mais sozinhas, pois muitas iniciam novos relacionamento de modo informal, sem casamento, confirmando-se, entretanto, a tese de que realmente as relações estão mais instáveis. Ainda assim, ao sopesar-se a volatilidade dos relacionamentos com a valorização que tem se dado ao afeto nestas mesmas relações, é possível concluir-se que o mundo evoluiu para melhor, ao passo que hoje realmente se vive plenamente uma relação conjugal, ainda que pouco duradoura, além de que as relações entre pais e filhos são incomparáveis com as de gerações passadas.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close